domingo, 19 de julho de 2015

POBRES VELHINHOS - Crônica

    

      Não faz tanto tempo assim que a Segunda Guerra Mundial assolava o mundo e muita gente morria por causa da sede de poder e da intransigência do preconceito nazista. Sentimentos que não foram exterminados juntos com os sete milhões de judeus, apesar da tentativa ignóbil de Hitler.  Pessoas iguais a você e eu eram queimadas em piras monumentais.Crianças e idosos eram levados às câmaras de gás ou jogados em campos de extermínios, sendo condenados a trabalhar até a exaustão e em condições sobre-humanas. Sempre que termino de ler um livro relacionado ao tema, não consigo evitar a indignação que toma conta de todo o meu ser e sinto empatia imediata pelos que sobreviveram a esse período de horror.

      Não faz tanto tempo assim, foi há apenas sessenta e nove anos atrás, ainda tem sobreviventes do holocausto dispostos a contar a sua experiência, na maioria das vezes, traumática. Poucos escaparam ilesos. Crianças desconhecidas que hoje são velhinhos de cabeças brancas, que ainda acordam de madrugada ouvindo o ribombar dos canhões e das bombas destruindo a sua cidade,acabando de vez com suas esperanças. Essas pobres almas acordam assustadas, trêmulas e suadas, se sentem novamente crianças e se vêem novamente órfãos, já que muitas deles perderam além da dignidade, todos os seus amores na guerra. 

    O pesadelo traz memórias de viagens insólitas em trens de cargas, cheiro forte de urina e excrementos. Gente amontoada feito gado. Ratos e insetos rastejantes no chão, infestação de piolhos,sarna e icterícia. O frio congelava a alma e a comida, geralmente podre, nunca era o suficiente. Acordam, sentem fome de amor, e choram. Difícil esquecer tantas atrocidades.

      Que fique aqui o apelo dos meus velhinhos-crianças, não faz tanto tempo assim, é preciso nos mantermos vigilantes. Primeiro foram os índios, depois os negros, depois os judeus. Infelizmente, sempre tem alguém que é a bola da vez.

Georgete Reis

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